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AMÉRICAS

O papel em evolução da Argentina no comércio global de armas

Esconderijo de armas apreendidas pelo Ministério da Segurança da Argentina em junho 26, 2019. (Foto: Ministério da Segurança da Argentina)
Esconderijo de armas apreendidas pelo Ministério da Segurança da Argentina em junho 26, 2019. (Foto: Ministério da Segurança da Argentina)

Um recente confisco de armas por parte de autoridades argentinas sobre armas 1,000 e centenas de explosivos é o maior da história na nação, segundo autoridades.

(De Josefina Salomón e Carolina Sampó, InSight CrimeEmbora a apreensão de centenas de armas de alta potência na Argentina e uma investigação posterior ofereçam novas pistas sobre a dinâmica criminosa na infame região fronteiriça com o Paraguai, o papel do país no comércio global de armas permanece incerto.

Em junho 26, autoridades na Argentina apreendeu centenas de armas de alta potência e prendeu mais de 20 pessoas. Autoridades descreveram a operação internacional como a maior da história do país.

Uma investigação, iniciada no final do 2018, descobriu que as armas - incluindo rifles, metralhadoras e munições antiaéreas - faziam parte de uma intrincada operação global.

Investigadores disseram que peças enviadas dos Estados Unidos e da Europa foram montadas em locais da Argentina. As armas foram então enviadas por terra para o vizinho Paraguai. As autoridades acreditam que as armas foram vendidas para as principais organizações criminosas do Brasil: Primeiro Comando Capital (Primeiro Comando da Capital - PCC) e Comando Vermelho (Comando Vermelho).

InSight Crime Analysis

A investigação da apreensão de armas na Argentina, que ainda está em andamento, revelou novas pistas sobre a dinâmica criminosa em um dos pontos mais importantes da criminalidade na América do Sul. Abaixo, o InSight Crime analisa três tópicos principais do busto.

1. Grupos criminosos de olho em novas rotas

Até recentemente, grupos criminosos no Paraguai agiam como intermediários para tráfico de armas dos Estados Unidos para o Brasil, garantindo um fluxo constante.

Existem várias razões para isso. Aproveitando-se das leis de armas frouxas nos Estados Unidos, grupos criminosos acharam relativamente fácil enviar partes de armas através de contatos já testados no Paraguai. Lá, eles foram reunidos e enviados via terra para o Brasil através de rotas comumente usadas para traficar mercadorias ilícitas.

Mas um proibição de importação de armas impostas pelo Paraguai na 2018 podem ter forçado os grupos a testar rotas alternativas. Isso pode explicar por que tantas armas foram apreendidas na Argentina, algo que não havia sido visto antes.

Rodrigo Bonini, diretor de investigações do Ministério de Segurança da Argentina, diz que os governos da região precisam trabalhar juntos no desenvolvimento de políticas de combate ao crime.

"Quando um país define políticas para combater o crime organizado, ele precisa ter uma perspectiva regional, porque senão os países deixados de fora serão afetados negativamente", disse ele ao InSight Crime.

2. Olhos Criminosos Definidos na Argentina

A apreensão de armas na Argentina foi histórica por causa da quantidade de armas de fogo e munições que foram apreendidas, mas também porque o país até então não tinha sido um participante importante no comércio de armas regional ou internacional.

A Argentina abriga apenas um pequeno mercado doméstico de armas, de acordo com 2015 relatório pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

A localização estratégica do país, a presença de um grande porto servindo como um link direto para a Europa, bem estabelecidas rotas de tráfico de drogas para o vizinho Paraguai e um história de funcionários aduaneiros corruptos poderia ajudar a explicar por que grupos criminosos podem estar testando o país como um novo elo na cadeia de tráfico de armas.

Mas esses grupos podem enfrentar novos desafios em meio aos crescentes laços entre os governos da região, particularmente na luta contra o crime organizado.

A relação entre a administração do presidente argentino Mauricio Macri e seus pares nos Estados Unidos, que tem fortalecido nos últimos anos, tornando as operações como a apreensão de armas mais bem-sucedida. Autoridades da Argentina, do Brasil e do Paraguai também estão começando a colaborar mais, à medida que os três países tentam conter a expansão dos grupos criminosos.

3. Grupos de Crimes no Brasil Crescem Ainda Mais Poderosos

O fato de a Argentina ter apenas um mercado doméstico de armas que não possui o tipo de armas sofisticadas vistas na apreensão forçou as autoridades a buscar em outro lugar pistas sobre onde as armas estavam destinadas.

Embora não confirmados, todos os dedos apontam para os dois grupos criminosos mais poderosos do Brasil - o PCC e o Comando Vermelho - como os compradores.

Ambos os grupos, especialmente o PCC, foram ganhando poder no Brasil e internacionalmente.

Embora não haja evidências suficientes para sugerir que o grupo tentou se expandir para a Argentina, as autoridades disseram à InSight Crime que estão monitorando a situação cuidadosamente com um olho particular ao longo da fronteira norte do país, onde os três países se encontram.

A julgar pela mais recente apreensão de armas, eles são sábios para fazê-lo.


Este artigo foi republicado com permissão de InSight Crime e foi escrito com a colaboração do Centro de Estudos sobre Criminalidade Organizada Transnacional Centro de Estudos sobre o Crime Organizado Transnacional - CeCOT da Universidade de La Plata, Argentina.

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1 Comentários

  1. Larry N Stout 21 de Agosto de 2019

    “A vida nada mais é do que uma competição para ser o criminoso e não a vítima.” - Bertrand Russell

    responder

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